Durante décadas, pacientes da região de Lavras que precisavam de determinados tratamentos cardiovasculares ou oncológicos eram encaminhados para hospitais de Belo Horizonte, São Paulo e outros grandes centros. Esse cenário começou a mudar pois o Hospital Vaz Monteiro ampliou sua capacidade de diagnóstico e tratamento e passou a concentrar, em sua estrutura, serviços que antes exigiam deslocamento para outras cidades.
A mudança é particularmente visível na Cardiologia. O serviço de Hemodinâmica, em funcionamento contínuo desde 2009, já realizou cerca de 16,5 mil procedimentos diagnósticos e terapêuticos. Entre eles estão cateterismos, angioplastias coronarianas com implante de stents, intervenções vasculares, implantes de marcapasso e outros dispositivos cardíacos.
Nos últimos anos, o hospital passou a realizar também intervenções menos frequentes no interior do Estado, incluindo procedimentos percutâneos para doenças valvares, tratamento de arritmias e intervenções em aneurismas. Em 2023, por exemplo, realizou o primeiro procedimento de modulação cardíaca do Estado de Minas Gerais e o primeiro implante de MitraClip do Sul de Minas e em 2025 implantou, com sucesso, marcapasso bicameral em um paciente de 106 anos, que recebeu alta em 24 horas e retomou suas atividades cotidianas.
Para o cardiologista Marcos Cherem, coordenador do serviço, a diferença está na possibilidade de oferecer várias alternativas terapêuticas dentro da mesma instituição:
A estrutura inclui Hemodinâmica, Cirurgia Cardíaca, Eletrofisiologia, Diagnóstico por Imagem, Centro Cirúrgico e Unidades de Terapia Intensiva para adultos, crianças e neonatos. O hospital informa manter 105 leitos, dos quais cerca de 67 destinados ao SUS, sete salas cirúrgicas, Pronto Atendimento para Adultos, Ambulatório Ortopédico, além de complexo diagnóstico formado pela Ecomed e Hemocell.
O mesmo hospital para diferentes pacientes
A expansão dos serviços não ficou restrita aos pacientes particulares e usuários de planos de saúde. No final de 2024, o Vaz Monteiro passou a realizar procedimentos cardiovasculares para pacientes do SUS por meio de inclusão da instituição no programa Agora Tem Especialistas, ampliando a oferta de tratamentos para moradores da microrregião de Lavras.
Desde o início dessa nova etapa, em 2025, foram realizados mais de 150 procedimentos cardiológicos pelo SUS, entre cirurgias de revascularização, angioplastias coronarianas, tratamento percutâneo de aneurismas de aorta abdominal, estudos eletrofisiológicos e ablações para tratamento de arritmias.
A medida tem um efeito que vai além da redução das filas. Pacientes que antes precisavam ser encaminhados para outros municípios podem realizar o tratamento em Lavras, permanecendo próximos de suas famílias.
Para Marcos Cherem, a importância do programa está também em ampliar o acesso à estrutura que já atende os demais públicos:
O hemodinamicista Dirceu Dias Barbosa Sobrinho resume a importância dessa mudança sob a perspectiva assistencial:
A estratégia de ampliar o atendimento especializado também alcançou a Oncologia. A presença da Oncolavras no complexo do Hospital Vaz Monteiro permite integrar o tratamento do câncer à estrutura hospitalar, incluindo suporte clínico, internação e procedimentos cirúrgicos quando necessários.
O modelo reduz a fragmentação do cuidado, especialmente para pacientes que apresentam intercorrências durante o tratamento ou precisam de outras especialidades médicas. Para Rodrigo Maganha, coordenador da Oncolavras, a integração permite acompanhar o paciente em diferentes etapas do tratamento:
A combinação entre Oncologia e estrutura hospitalar é relevante sobretudo em uma região em que a distância ainda representa uma barreira para o tratamento. Em muitos casos, cada deslocamento significa horas de viagem para o paciente e para seus familiares.
Investimento contínuo
A expansão dos serviços veio acompanhada de investimentos em equipamentos e infraestrutura. A Hemodinâmica, por exemplo, foi modernizada com a instalação de um novo equipamento, permitindo ampliar a capacidade de procedimentos diagnósticos e terapêuticos. Entre 2024 e 2026, o setor realizou cerca de 2.000 procedimentos diagnósticos e terapêuticos de elevada complexidade.
Para um hospital filantrópico, porém, ampliar a oferta de serviços implica encontrar um equilíbrio entre investimento, sustentabilidade financeira e atendimento público:
Um polo fora dos grandes centros
A trajetória do Vaz Monteiro revela uma mudança na geografia da medicina especializada em Minas Gerais. Procedimentos que durante muito tempo estiveram concentrados nas capitais começam a ser realizados também em cidades médias, desde que exista uma combinação de profissionais qualificados, equipamentos, retaguarda hospitalar e volume suficiente de casos.
Em Lavras, esse processo ganhou escala na Cardiologia e avança também na Oncologia. O resultado é uma estrutura capaz de atender pacientes particulares, usuários de planos de saúde e pessoas encaminhadas pelo SUS, sem que a origem do paciente determine o acesso aos recursos disponíveis.
A aposta do Hospital Vaz Monteiro é continuar ampliando essa capacidade. Para a região, o efeito mais concreto é a possibilidade de receber perto de casa tratamentos que, até pouco tempo atrás, exigiam uma viagem para um grande centro. É uma mudança que não se mede apenas pelo número de procedimentos realizados, mas pela distância que deixou de ser percorrida por quem precisa de tratamento.
Responsável Técnico: Dr. Ricardo Gama, CRM-MG 20725.